16 outubro 2016

Nina Reis fala sobre 50 tons de cinza

Abrilhantando nosso espaço de escritor cronista convidado, hoje contamos com a luxuosa presença de NINA REIS.

Desfrutem!





 

Desculpe o transtorno, mas preciso falar sobre Cinquenta Tons de Cinza




Li Cinquenta Tons de Cinza e Cinquenta Tons Mais Escuros, após receber inúmeras indicações de leitoras que se renderam ao charme e poder de Christian Grey. Recordo-me que posts com trechos dos livros e montagens com avatares dominavam os grupos de leituras nas redes sociais. Na época, o filme era somente um sonho acalentado pelos milhares de fãs da história de amor de Christian Grey e Anastácia Steely.

Lembro-me também do quão chocada fiquei com resenhas e vídeos criticando ferozmente a história, seus personagens e claro, seus gostos peculiares.
Em meio a esse bombardeio de informações e imagens, dei inicio a minha leitura.
A controvérsia criada pelo fato de um livro erótico estar entre os mais vendidos do mundo aguçava ainda mais a minha curiosidade, porém diferente do que imaginei, não foram as cenas de sexo, o quarto vermelho da dor, ou mesmo a emblemática frase “Fodo com força”, que captou minha atenção.
Além de toda polêmica criada pela abordagem do mundo BDSM e de cenas de sexo descritas de forma realista, está um personagem sombrio e complexo, marcado tão profundamente pelo passado de abuso e violência que acredita ser uma pessoa indigna de ser amada. E uma mulher que decidiu provar o contrário.
Meu coração doeu quando me deparei com a descrição do passado de Christian. Uma criança que viveu uma realidade cruel comum a muitas crianças, infelizmente. Em mim ficou marcada a cena em que ele narra sua infância, fala do lugar insalubre em que viveu, da sujeira e mau cheiro que, para ele ficou impregnado em sua pele e dos abusos sofridos.
Mas, para essa leitora, nada foi mais dolorido, que ler a reação daquele menininho ao ser adotado pela família Grey. Ler que ele sentia que contaminava o ambiente e a nova família com a sujeira que acreditava estar impregnada em seu ser, me comoveu profundamente. E ele cresceu assim obcecado em se cercar de ordem e limpeza, para combater sentimentos e sensações que o afogavam.
A história mostra um homem inteligente, que constrói um império, mas que não consegue olhar-se no espelho sem enxergar a sujeira, nem permite que outros cheguem perto o suficiente para amá-lo, nem mesmo a família.
O menino, o adolescente e o homem Christian Grey, erguem uma muralha de proteção, afinal, se ele não amar, não irá se decepcionar, nem sofrer.
A inesperada e imperfeita Anastácia Steely enxerga a dor sob a aparência perfeita e, mesmo atraída sexualmente, não permite que o relacionamento seja superficial.
Pessoas têm defeitos, emoções, anseios, medos e Ana anseia descobrir quais são as emoções e sentimentos do homem que emana masculinidade, poder e controle.
Outro momento marcante é quando ele chega no apartamento, após o acidente de helicóptero e surpreso, encontra a família desesperada por notícias suas. A reação dos pais e dos irmãos ao vê-lo sã e salvo o paralisa, o comove, emociona, pois para ele a demonstração de amor é inesperada.
O livro tem sexo, algemas, chicote e outros brinquedos sexuais? Tem.
Tem cenas de sexo narradas em uma escrita inquietante e excitante? Tem.
Mas não é apenas isso.
Cinquenta Tons de Cinza conta uma história de amor e cumplicidade, que em alguns aspectos, é até inesperada.
É a história de uma mulher que faz um homem confrontar a imagem que faz de si mesmo, os fantasmas do passado, a dor e a humilhação e romper os grilhões emocionais nos quais ele está acorrentado há tantos anos. Não é a toa que o último livro (que ainda não li) se chama Cinquenta Tons de Liberdade.
Voltaire tem uma frase que diz: O preconceito é opinião sem conhecimento.
Muito se debate sobre a trilogia de E. L. James, desde o controverso universo BDSM à violência contra mulher. Pergunto-me quantas dessas pessoas leram, sem conceitos pré-concebidos, a trilogia?
Li e assisti muitas críticas cruéis de pseudos intelectuais que desrespeitaram e massacraram a autora, sem levar em contas seus sentimentos e sonhos.
E. L. James não escreveu Cinquenta Tons para fazer parte de uma academia literária, ou ganhar prêmios. Tampouco desejou levantar a bandeira do sexo alternativo. E temo que é exatamente isso que a maior parte dos críticos não entende e aceita.
Com sua escrita simples e direta, sem pretensão alguma, ela tocou milhões de leitores e leitoras pelo mundo.
Desculpe o transtorno, mas eu precisava falar de Christian e Anastácia. Precisava dizer que essa história não é sobre sexo, é uma história de superação através do amor.


Beijos Nina Reis



7 comentários:

  1. Agradeço o convite e carinho!
    Foi um prazer e uma honra escrever essa crônica para o Blog!
    Meninas vocês estão de parabéns! O blog está lindo e vocês são fantásticas.
    Beijos no coração!

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  2. Concordo plenamente com sua opinião Nina. Quando li a trilogia, não fazia idéia do que se tratava, li sem nenhuma ideia pré concebida. E vi acima de tudo uma historia de amor e superação. Mostra um casal fiel, leal, que respeita um ao outro de uma maneira rara de se ver. Uma vê que, os relacionamentos de hoje em dia, banalizam os sentimentos e até mesmo o próprio sexo.

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  3. Ótima crônica, assim como tudo que a Nina escreve. Tenho o mesmo sentimento em relação a trilogia, toda a parte do sexo não me cativou tanto quanto a história de vida do Chistian e como ele foi se abrindo para Ana e para vida. Eu gostei dos três livros e por isso não vi o filme.

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  4. Arrasou Nina Reis e Alfas Literárias!!
    Muitooooooo bem escrita essa crônica.Quando li 50 Tons de cinza.. fiquei fascinada pela história em si..
    Mas o que me marcou foi o relato de vida do Grey um homem marcado pelo que sofreu no seu passado.E o amor da Anastacia que conseguiu enxergar esse Grey...Que as outras pessoas desconheciam.
    Enfim.. você falou tudooooo Nina.
    Parabéns a você e as meninas.
    #Ameiii

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  5. Nina minha visão do livro é exatamente igual a sua, por isso li a trilogiacduas vezes.

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  6. Parabéns,Nina Reis e Alfas Literárias!
    Arrasou na sua crônica Diva Nina.Quando li 50 Tons de cinza.. fiquei fascinada.
    O que me chamou bastante atenção foi o relato do Grey..o quanto ele sofreu e a fachada que ele levantou ao seu redor de homem forte dominante..
    E por trás de tudo isso uma pessoa que muitos não enxergavam.Ate que a Anastacia apareceu ...e mudou tudooooo..
    Enfim amei o que você escreveu.

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  7. Parabens Nina...... Sua descrição da história foi a que sempre me chamou atenção, sempre digo leiam os tres livros princialmente o segundo para poderem entender a história, o sexo é secundário nessa história, o que me chamou a atenção foi a maneira como Ana o tratou e fez ver que ele é amado, que pode amar, e conseguiu mudar ele..... pra mim será sempre um Romeu e Julieta moderno.......amei

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