15 setembro 2016

"A História de Nós Dois" de Nina Reis


Café da tarde por Fabíola Andrade


                     

O bate papo hoje é sobre um livro que aguardo há, pelo menos, uns cindo anos. Trata-se de A História de Nós Dois da Nina Reis. Considero-a uma das melhores romancistas nacionais da atualidade.
Em 2011 Nina postou um conto, num blog literário, para um concurso de contos. Lembro que ficou entre os três finalistas, pois tivemos acesso a eles.
Quando li a história da freira que toma como missão de vida proteger e ajudar aos necessitados, lutando para combater a maldade humana e por isso, leva cinco tiros, ficando entre a vida e a morte... Foi identificação a primeira leitura. Maria da Anunciação era aguerrida e não trazia desaforo para o convento. Tomava para si a batalha alheia, sempre protegendo e cuidando. Impulsiva, agia conforme suas próprias regras, burlando ordens superioras, mas mantendo sua fé em Deus inabalável, fizessem o que fizessem os donos do poder.

Quando o mercenário “fodão” e arrogante conhece a doce freirinha, já se encanta pela coragem e força dela, nascendo aí seu instinto mais do que protetor; além, claro de outros sentimentos com os quais ele não queria nem reconhecer, quiçá entender.

Mas para haver um romance entre a freira e o mercenário, ela teria que no mínimo, deixar o hábito. Mas Nina Reis, não podia fazer a coisa simples e fácil, tinha que tomar o caminho mais difícil; Irmã Maria da Anunciação foi traída, por aqueles que tinham a obrigação moral de protegê-la: ela foi expulsa da congregação, numa cena tão impactante, que me fez chorar por 10 páginas seguidas. Deu-me vontade de correr atrás daquele furgão, xingar, socar, bater, mas de alguma forma, retomar-lhe a vida de volta. Quis entrar pela página do livro e resgatar, como minhas próprias mãos, todos os hábitos que lhe foram tão desumanamente tomados. Chorei junto com ela, abraçada ao soldado, que naquele momento, era o único elo de ligação com um mundo desconhecido, mas que teria que ser vivido; ela tinha que se reinventar, de qualquer jeito.






Órfã, foi criada num orfanato dirigido por irmãs de caridade; decidiu seguir o caminho delas, já que teve medo do desconhecido, pois sabia que ao completar a maioridade teria que seguir por um mundo que não conhecia e não estava preparada para conhecer. Levou seu trabalho a sério, sendo incansável em todas as atividades que se propôs a realizar. De repente, por uma traição se vê roubada de seu trabalho, de suas amigas, de sua casa e até de suas roupas. Completamente sem chão nem rumo.

Em contra partida o soldado, que jurou a si mesmo nunca envolver-se emocionalmente com mulher nenhuma, pois jamais poderia dar a quem quer que fosse um modelo de família, descobre-se apaixonado e totalmente “fodido”.

A partir daí, inicia-se um arremedo de romance entre eles, que vai se concretizar alguns anos depois, por total incapacidade do mercenário de se manter afastado da sua doce ex-freirinha; com pitadas de erotismo romântico, condizente com a condição dela: uma mulher que em pleno século XXI, nunca havia sido se quer beijada.

 Nina lançou o livro físico na Bienal SP 2016, e como eu já sabia antecipadamente que não iria, comecei uma campanha entre as amigas, para encontrar qual delas teria disponível em sua bagagem, espaço para “um livrinho”... Foi quando minhas Alfa amigas Ana Claudia e Gabi Canano, viram-se quase que intimadas a trazê-lo para mim, tamanha a minha insistência.

No dia 3/9 embarcaram para Sampa, postando ostentosamente fotos de uma bienal que eu não compareceria. A noite chega-me a mensagem:

- O livro acabou. Só amanhã!

Juro que gelei! Putz não vou poder ler “meu livro amado, idolatrado, salve-salve...”
No domingo, mais fotos ostentosas, com todas as escritoras que eu queria muito também poder abraçar... No final da tarde vem a mensagem:

- Compramos seu livro, mas a Nina sumiu. O que faremos?

Na mesma hora respondi: 

- Tragam assim mesmo! Autógrafo eu pego depois.

No dia 5/9 elas desembarcaram no Rio, mas eu ainda não poderia por minhas mãos ansiosas no livro, pois minhas amigas trabalham...

Chega enfim o dia 9/9, uma sexta-feira na qual Megan Maxwell viria ao Rio para autografar sua primeira guerreira, série da qual tenho um carinho e um apreço muito particulares... E lá vou eu para Botafogo, encontrar as amigas, a Megan e mais precisamente, “meu livro”, que só chegou finalmente as minhas mãos no início da noite.

Toquei, cheirei, acarinhei, beijei... Fiz todo o ritual próprio de leitoras malucas que se veem frente a frente com seus livros amados e idolatrados, salve-salve.

No sábado, fiz todos os afazeres domésticos, que me são obrigatórios, mas me preparando para a noite, na qual seria só minha com “meu livro”. E enquanto minha família divertia-se na Arena Olímpica, curtindo as Paraolimpíadas Rio 2016, eu em posse de um copo de refrigerante, sentei-me em minha cama e me permiti o prazer de me reapaixonar pela história de Marina e Caetano.

Entre lágrimas de emoção e sorrisos de contentamento, hoje afirmo, com a autoridade de uma leitora compulsiva, há pelo menos 45 anos, que Nina Reis está no rol dos melhores romancistas nacionais.

Obrigada Nina e que venham mais mercenários por aí.

Beijinhos!!!





6 comentários:

  1. Emocionada é uma palavra singela para descrever a emoção ao ler seu texto.
    Não consigo apontar uma frase ou parágrafo do qual eu tenha gostado mais. Desde suas palavras carinhosas e generosas sobre minha escrita, à compreensão tão sensível e certeira dos personagens.

    Guardarei esse texto para sempre em meu coração.

    Saber que Marina e Caetano a emocionaram mais uma vez, faz meu coração vibrar de alegria e transbordar pelos olhos. O choro é livre! hahahahaha

    Obrigada querida, de coração e alma, por essa alegria!

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  2. Entendo seu sentimento pela escrita da da Nina de A a Z Fabíola. Sem exageros um dos maiores talentos que já tive a graça de conhecer.Desde que li primeira vez seu conto Um amor rde secretária nunca deixei de seguir. E tenho sido sempre recompensada em cada palavra.

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    1. Obrigada por me entender e fazer parte desse fã clube de enlouquecidas pelos mercenários de Nina Reis. Bjs!

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  3. Entendo seu sentimento pela escrita da da Nina de A a Z Fabíola. Sem exageros um dos maiores talentos que já tive a graça de conhecer.Desde que li primeira vez seu conto Um amor rde secretária nunca deixei de seguir. E tenho sido sempre recompensada em cada palavra.

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  4. Uauuuu! Já estou com esse livro na lista de desejados! Nina é a pessoa iluminada mesmo, tem um carisma, uma simpatia que não tem como vc não se encantar. Parabéns Nina por mais um sucesso!😘😘😘

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  5. Uauuuu! Já estou com esse livro na lista de desejados! Nina é a pessoa iluminada mesmo, tem um carisma, uma simpatia que não tem como vc não se encantar. Parabéns Nina por mais um sucesso!😘😘😘

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