23 setembro 2016

Convidada Nana Pauvolih

Nós Alfas Literárias abrimos espaço para que escritores mostrem seu lado cronista, além dos romances. Para o desfrute do leitor, hoje temos como Escritora Convidada a Diva 

NANA PAUVOLIH




Assertividade e grosseria

Ser escritor é, acima de tudo, ser um bom observador.
Gosto muito de olhar a minha volta, perceber pequenas nuances, sentir as energias, sondar olhares. Isso é importante tanto para meu trabalho, na hora de montar personagens, como na vida pessoal. Notei que uma pessoa pode nos dizer muito mais do que realmente diz, se prestarmos atenção nela.
No entanto, no mundo virtual do facebook, instagram e outras redes sociais, muitas vezes o contato não é direto, olho no olho. É através de comportamentos expressos, na maioria das vezes, por palavras escritas. Como um livro, com personagens, só que reais. 
E neste meio, encontramos de tudo um pouco.
A maioria das pessoas são como se mostram. Sondando um perfil, com fotos, frases, gostos, podemos ter uma noção de quem está do outro lado. Mas muitas vezes, nos deparamos com falsos perfis. É fácil criar nome fictício e se aproveitar disso para ser uma pessoa diferente.
No entanto, o que eu gostaria de falar aqui, não é sobre quem uma pessoa se mostra na internet, mas algumas ações que tenho percebido, independente de ser um perfil real ou fake. Como escritora e pessoa pública, fica mais fácil de notar. Falo das grosserias disfarçadas em críticas.
É mais comum do que parece ver alguém se garantindo em ser honesta e sincera, usando palavras ofensivas e desnecessárias para dar sua opinião sobre determinada pessoa ou o trabalho de alguém. No início da minha carreira, eu me incomodava muito com isso, ficava procurando fundos de verdade nas ditas “críticas”, até que cheguei ao ponto de realmente entender.
Há uma diferença imensa entre você dar sua opinião sobre algo, sendo elegante e usando uma crítica construtiva, e ser agressivo. Pode afirmar que não gostou de determinada coisa. Ninguém é obrigado a concordar com o outro. Uma pessoa assertiva, sabe a hora certa e o local de fazer isso, sabe usar palavras, se preocupa em não ser nocivo.
Quando me deparo com frases grosseiras, desnecessárias, cheias de menosprezo ou ofensas, eu percebo que na verdade o problema não está com quem recebe a “crítica” e sim com quem a faz. É uma prova de baixa autoestima, de infelicidade, de vários fatores que fazem a pessoa ver tudo com tanta raiva, que não consegue guardar essas coisas ruins consigo e precisa compartilhar.
Não dá para esperarmos autocontrole de todo mundo. Mas dá para ignorar, se afastar, simplesmente deixar aquele comentário feio passar em branco. Quando muito, responder com educação e polidez. Não precisamos entrar no círculo vicioso de mágoa, raiva, dor ou tentar retrucar de maneira mais grosseira ainda.
Aprendi na vida que há muita coisa boa nos cercando, muita gente legal para ser admirada, muitas situações felizes para serem vividas. Se uma pessoa está tão infeliz que precisa agredir o outro e esquecer conceitos vitais e essenciais como educação, ética, carinho e respeito, cabe a nós encher o coração de coisas boas e tentar se proteger contra o mal. Como? Ignorando. Deixando o maldoso falar sozinho.
Felizmente, encontrei poucas pessoas assim pelo caminho, apesar de conhecer muita gente. Tenho o privilégio de receber muitos abraços, carinhos, beijos, incentivos, amizades, mesmo de longe. As críticas, quando construtivas e educadas, são bem vindas. Os deboches e ofensas disfarçadas de sinceridade, não me afetam. E gostaria que não tivessem o poder de afetar ninguém.
A vida é curta demais para ser desperdiçada em reclamações e agressividades vãs. Quem muito se incomoda com o que o outro faz, na verdade tem vontade de ser igual ou perde tempo cuidando do que não é seu. Não enxerga que poderia estar fazendo inúmeras outras coisas em proveito próprio, trabalhando no que gosta, dando um beijo em entes queridos, sorrindo pelo simples fato de estar vivo e poder aproveitar.
Não somos perfeitos. Temos nossos momentos de descontrole, de irritação, de brigas. Mas com a experiência, podemos aprender que nada disso atrai coisas boas. Somos o que pensamos, o que fazemos, o que dizemos e demonstramos. Pra quê colocar para fora tanta coisa ruim e receber em troca distanciamento de amigos e familiares, friezas e ausências?
Se eu quero amor, eu dou amor. Se eu quero carinho, eu dou carinho. Se eu quero respeito, eu dou respeito. Imagine como seria o mundo se todos pensassem assim? Se fizéssemos com o outro tudo aquilo que queremos que façam com a gente?
E pra você que já se sentiu triste ou humilhado com algum comentário maldoso, eu peço uma coisa: não fique. Não dê importância. Dê atenção e valor a quem quer o seu bem, a quem sabe a hora certa de te dar um puxão de orelha sem precisar de público. E se a ofensa vier sobre seu trabalho, tenha uma coisa em mente: se não pode fazer o bem por você, não deixe que faça o mal.

Queridos, vamos descomplicar. E dar o nosso melhor. O resto é consequência.


Beijinhos!
Nana Pauvolih

Um comentário:

  1. Perfeito! Respeito acima de tudo. Adorei.
    Bjs doce
    Alfas e para Nana.
    Jo Magrini

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