08 agosto 2016

Gêneros Literários - Romances Eroticos


 Romances Eróticos

Por Fabíola Andrade

(Alguns livros de Romances Eróticos)

Olá, matilha! Fiz uma pequena pesquisa pelo universo da internet e achei algumas informações pertinentes, que devo dividir com vocês.
O romance (temos que começar do início...) é um gênero literário, proveniente da narrativa, na modalidade ficção. Esta modalidade se distingue, estruturalmente, por apresentar uma trama com início, um clíma (e que clímax...) e uma conclusão. As produções literárias que se enquadram nessa denominação, trazem um enredo integral, com marcas temporais, cenários e personagens (e que personagens...) determinados com precisão.
Nascido na Era Medieval e tendo como um dos principais exemplos do gênero Dom Quixote, de Cervantes, (há quem diga, que há uma introdução no subgênero erótico nessa obra).  A estrutura desse tipo de narrativa é complexa, já que não acomoda apenas um núcleo, mas várias tramas se desencadeiam durante a narração da história principal. Recebeu a nomenclatura de romance porque se tornou conhecido a partir do Romantismo, que é todo um período cultural, artístico e literário que se iniciou na Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX. Apesar de a sua raiz ser de antes, do Realismo (2ª metade do séc. XIX). Os romances realistas são mais fiéis a esse tipo de texto, tanto na sua estrutura quanto no tipo de abordagem, na crítica social, na descrição minuciosa, etc. Segundo Hegel (Friedrich Hegel/ filósofo alemão - 1770/1831), o Romance seria a epopeia burguesa moderna. Essa denominação se dá ao fato de o Romance se firmar logo depois do crescimento da industrialização no séc. XVIII, momento em que a epopeia era sufocada, e no qual o Romance ascendeu, substituindo-a.
Só que não estou aqui para falar especificamente do gênero romance, por que isso não me pertence... Quero mesmo é falar do gênero ficção erótico. Que pasmem, mas desde a Roma antiga, já se conhecia o erótico, não em forma de romance, mas de epopeia e poesia. Já na Idade Média, a coisa descambava para a sátira e o obsceno. A partir do séc. XVIII, quando o gênero narrativo romântico ganhou forma e força, surgiram o Marquês de Sade (na Inglaterra) e o Conde de Mirabeau (na França), que priorizavam mais o pornográfico em detrimento ao romance. Contudo no final do séc. XVIII Choderlos de Laclos (francês) publica As Ligações Perigosas, um romance epistolar (não é uma narrativa, são cartas trocadas entre dois personagens).  O livro é considerado uma obra-prima do gênero, pois adentrou profundamente a mente dos personagens, mostrando seus temores, desejos e malícias, deixando a sensualidade implícita.
No séc. XIX a literatura erótica perde em qualidade, mas ganha em quantidade. Muitos livros são publicados, sob a denominação anônima, em lugar dos nomes dos escritores. No Brasil a poesia de Castro Alves, deixava o tema erótico implícito.
No séc. XX esse gênero ganha força e nomes expressivos como: Henry Miller (Trópico de Câncer - 1934), Vladimir Nabokov (Lolita - 1955), Anaïs Nin (Delta de Vênus - 1978), Anne Rice (Trilogia da Bela Adormecida - 1983/84/85) e aqui no Brasil, os exemplos mais profícuos são as poesias que vão desde Drumond, João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes, Glauco Mattoso  a Arnaldo Antunes. Já no gênero narrativo, a pioneiríssima Cassandra Rios (Volúpia do Pecado – 1948), Adelaide Carraro (O Estudante – 1975) e Hilda Hist (O caderno rosa de Lory Lamby – 1990).
Já no séc. XXI o boom foi com Cinquenta Tons de Cinza (E. L. James - 2011), Crosfire (Sylvia Day – 2012) e Irmandade da Adaga Negra (J. R. Ward - 2005), mas deixa estar que Lora Leigh e Lisa Marie Rice, conhecidas mais em terras do norte, já exploravam o gênero, desde o início do novo século.
O Romance hot/erótico sai então da “marginalidade” aqui no Brasil, a qual foi submetida no séc. XX, (por ser alvo indiscriminado da censura, no período militar) e passa a ganhar as prateleiras das livrarias abertamente, haja vista que o pouco que era liberado, ficava oculto, relegado a esconderijos, para “não macular a família brasileira”. Abria-se aí um leque de leitores adultos, que se tornam fãs desses escritores, e passaram a frequentar as livrarias; coisa rara para muitos que nem passavam pela porta, mas que descobrem nos eróticos o romance que agrada a eles. Por ser direcionado especificamente para esse público, que via hordas de fãs adolescentes, alucinadas por escritores e suas sagas fantasiosas e/ou que falavam de amores imortais. As nossas amadas escritoras bresileiríssimas, vendo que havia público para o gênero, resolveram se arriscar e se lançam em plataformas virtuais para escritores.
Em 2012 Nana Pauvolih lança, num blog de uma amiga o romance erótico A Coleira, pioneiríssimo no gênero nacional do novo século, atraiu uma legião de fãs, fazendo com que a nossa Diva tomasse ânimo e continuasse a nos brindar com mais personagens e tramas, saídos de sua mente profícua. Arrastando não só fãs, mas dando impulso necessário para que novos nomes surgissem no embalo: Bya Campista (Pele – 2013), Gisele Galindo e Josy Stoque (Insensatez – 2013), Mila Wander (Despedida de Solteira – 2013), Tatiana Amaral (Função CEO – 2013), e mais uma dezena de nomes que não cabem aqui, caso contrário eu ficaria só citando escritoras/es e suas obras.
Não se engane leitor, a qualidade da escrita delas/es, é muito boa, não deixando nada a dever aos estrangeiros, pelo contrário. Também um país que tem Machado de Assis, Vinícius de Moraes, Clarisse Lispector, Lygia F. Telles, Cecília Meireles, Adélia Prado, Raquel de Queiroz, Cora Coralina, Nélida Piñon... Não poderia decepcionar todos esses (e muitos outros) nomes da Literatura Nacional escrevendo algo que não fosse no mínimo, excelente.
Logo, se seu gosto literário encaixa-se no Romance Erótico, arrisque-se no nacional, eu recomendo, tendo a plena certeza de sua total satisfação literária.
Beijinhos e boa leitura.



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